Acre: Atlas da Violência mostra que Acre tem maior crescimento em taxa de homicídio de jovens

Publicado em 6 de junho de 2018

O Atlas da Violência 2018, publicado ontem, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que a violência no Acre aumentou exponencialmente e dá razão ao governador Tião Viana quando ele diz que está havendo um extermínio de jovens, pela disputa das facões criminosas, em função do tráfico de drogas e que essa responsabilidade não pode ficar afeita ao Estado e é um problema nacional.

O Brasil apresenta Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil. Quando se analisa a violência letal contra jovens, a situação se torna ainda mais grave e que se acentuou no último ano: os homicídios respondem por 56,5% da causa de óbito de homens entre 15 a 19 anos. Quando considerados os jovens entre 15 e 29 anos, se observa, segundo o relatório, em 2016, uma taxa de homicídio por 100 mil habitantes de 142,7, ou uma taxa de 280,6, se considerarmos apenas a subpopulação de homens jovens. Essa situação vem aumentando numa velocidade maior nos estados do Norte, especialmente no Acre.

O Acre apresenta a maior taxa de variação de assassinatos de jovens no intervalo estudado, entre 2011 e 2016.) número de morte de jovens cresceu em assustadores 147,9% saindo de uma taxa de 42,7 jovens por 100 mil em 2006 para 83,9 jovens por cada cem mil. Uma geração inteira de acreanos está sob risco e ameaça de morte em função da guerra entre facções criminosas. Em números absolutos, o estado passou de 85 mortes de jovens na faixa etária de 15 a 29 anos, em 2006 para 184 mortes em 2016, último dado disponível, embora seja consenso que esses números aumentaram ainda mais em 2017 e estão aumentando em 2018.

O quadro abaixo mostra a situação no Acre:

Outro quadro mostra o problema da morte de jovens por homicídio no país vale destacar a posição do Acre, que tem apenas a décima primeira posição no ranking de homicídios, em números relativos, mas é o estado em que as estatísticas têm maior evolução.

No gráfico abaixo é possível ver como está crescendo de forma assustadora o assassinato de jovens no Estado, ano a ano.

Outra questão importante trazida pelo Atlas da Violência é a desigualdade das mortes violentas por raça/cor, que veio se acentuando nos últimos dez anos, quando a taxa de homicídios de indivíduos não negros diminuiu 6,8%, ao passo que a taxa de vitimização da população negra aumentou 23,1%. Assim, em 2016, enquanto se observou uma taxa de homicídio para a população negra de 40,2, o mesmo indicador para o resto da população foi de 16, o que implica dizer que 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas.

No Acre, a taxa de homicídios entre negros é de 46,9 por grupo de cem mil pessoas, superior à média brasileira de 40,2 por cem mil. No caso de não negros, os homicídios tem taxa de 28,8 por casa cem mil , também superior à do Brasil, que é de 16 por cem mil. Paradoxalmente, a taxa de morte de não negros amentou mais no Acre que a de negros, com um acréscimo desde 2011 de 53,7% para negros e 98,7%, quase o dobro para não negros. Na taxa de não negros, inclui-se indígenas e descendentes, o que pode explicar em parte os números discrepantes.


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