Historia de un amor

Publicado em 14 de janeiro de 2016

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Hoje acordei nostálgico e encontrei na internet um vídeo com uma canção muito conhecida e apreciada em uma interpretação nova e diferente, que me lembrou as brincadeiras dançantes do Democrata Clube de Paraguaçu.
Embora Renato Russo já tenha afirmado que “Se o amor é verdadeiro, não existe sofrimento”, acho que não há como se negar a beleza poética de um sofrimento por amor.

A música latino-americana é bastante diversificada e unida pela origem comum dos idiomas, português e espanhol. Seus diversos estilos nasceram da mistura de elementos musicais europeus, africanos e indígenas, em um sincretismo perfeito.

Uma das principais características da música latino-americana é a utilização do ritmo forte para transmitir a alegria, como no samba, mambo, cha-cha-chá e rumba. Entretanto, quando pretendem falar de um amor sofrido ou mal resolvido, nossos músicos e poetas são ainda mais incisivos, transformando a dor em pura arte. Esta dor, que acredito seja a manifestação de pesar de europeus e africanos pelo distanciamento da terra natal, ao mesmo tempo a decepção dos indígenas ao verem seu torrão invadido por alienígenas, se reflete claramente no bolero, uma criação dos cubanos que foi apropriada pelos mexicanos, espalhou-se pela América toda e invadiu o mundo.

“História de um amor” é um bolero de 1955, do panamenho Carlos Eleta Almaran (Dartañan). Interessante que, embora fosse normal alguém produzir uma melodia tão triste, com versos ainda mais tristes por ser abandonado por um grande amor, neste caso não foi o ocorrido. Dartañan escreveu a canção por perceber o sofrimento de seu irmão que perdera a esposa. Ele alcançou o sucesso rápido, porque era parte da trilha sonora de um filme mexicano de mesmo nome de 1956, estrelado por Libertad Lamarque e Emilio Tuero.

A canção foi interpretada por numerosos artistas, como Lucho Gatica, Julio Iglesias, Nana Mouskouri, Pérez Prado, Luis Miguel.  Foi traduzida para vários idiomas, inclusive russo, (Pervaya vstrecha), árabe (Dak El-Mahroum) e chinês (Wo de xin li zhi you ni mei you ta).

Vejam os versos em português: Já não está mais ao meu lado coração/Na alma só tenho solidão/E já não posso vê-la/Porque Deus me fez querê-la/Para me fazer sofrer mais/Sempre foi a razão do meu existir/Adorá-la para mim foi religião/Em seus beijos encontrava/O calor que brindava-me/O amor e a paixão/É a história de um amor como não há outro igual/Que me fez compreender todo o bem e todo o mal/Que deu luz a minha vida apagando-a depois/Ai que vida obscura, sem seu amor não viverei.

Mais recentemente, ela foi gravada pelo grupo “French latino”, um excelente conjunto, fundado e liderado por Jean-Paul, apelidado de “El padrino” (O Padrinho), nascido em Medea, na Argélia de uma família francesa que, após a guerra de libertação daquele país, aos 17 anos se mudou para Paris onde seguiu uma carreira artística.

Em 2009 resolveu fundar o seu grupo atual,  reunindo um time de excelentes musicistas e tendo ele e sua filha Michelle, que seguia uma promissora carreira de cantora, como os vocais, numa parceria feliz e bem-sucedida. Jean-Paul tem sua base em Andalucía, na Espanha, e está sempre excursionando por diversos países.

A partir da criação do French Latino, começou um profundo e cuidadoso trabalho de preparação do repertório, tendo à frente sua esposa, Encarna Gutierrez Bautista, cujo álbum mais notável intitula-se “Guarda la esperanza”, contendo 12 canções, incluindo “Historia de um amor”.

O grupo faz uma boa mescla com as guitarras com alma espanhola, bandolins com charme italiano e a vibrante percussão como dos norte-africanos, além da interpretação com estilo francês.

 

 

Adson Prado Morais

Paraguaçu, janeiro de 2016


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