Estamos próximos de obter um “Viagra feminino”?

Publicado em 4 de março de 2015

sexualidade feminina

A organização americana sem fins lucrativos Even the Score, que promove a igualdade de tratamento em saúde sexual, criou uma campanha na internet para pedir a aprovação de um composto conhecido como “a pílula rosa” ou “Viagra feminino”. A ação que usa a hastag #WomenDeserve reúne mulheres de diferentes idades que pedem seriedade nas discussões sobre as dificuldades sexuais femininas e o mesmo empenho na busca por tratamentos.

Remédios para tratar disfunção sexual são comuns no mercado, desde a descoberta do Viagra há 17 anos, mas ainda não há disponível nenhum tipo de composto destinado a mulheres. No início de fevereiro, a empresa farmacêutica Sprout Pharmaceuticals anunciou que vai reenviar para aprovação da FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador de medicamentos nos EUA, um fármaco para tratar o baixo desejo sexual feminino. Esta é a terceira tentativa de aprovação do produto.

A dificuldade para desenvolver um produto feminino é que o remédio precisa agir no cérebro e não na região pélvica, segundo Arnaldo Schizzi Cambiaghi, especialista em medicina reprodutiva e diretor do centro de reprodução humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia). “Os produtos para homens melhoram a disfunção erétil. Eles não aumentam a libido, que é o desejo da sexualidade. Quando se fala em sexualidade a associação maior é do homem porque as mulheres conseguem ter uma relação sexual mesmo sem libido.”

A flibaserina, nome do composto em desenvolvimento, é uma droga não-hormonal desenvolvida para ser um antidepressivo. Durante os testes, os pesquisadores notaram o efeito de aumento na libido feminina e decidiram realizar avaliações neste sentido. Cientistas da FDA solicitaram os dados devido a resultados mostrando que quase 10% das mulheres que usaram a droga durante as pesquisas apresentaram efeitos colaterais como sonolência, fadiga, tontura e náuseas. As ativistas pró-aprovação rebatem que o medicamento masculino também possui efeitos adversos, mas é concedido aos homens a possibilidade de escolher.

Para Renato de Oliveira, responsável pela área de reprodução humana da Criogênesis, empresa de pesquisa e biotecnologia, o homem e a mulher possuem organismos diferentes com respostas sexuais diferentes. “Enquanto o orgasmo masculino dura poucos segundos, a mulher pode ter orgasmos múltiplos durante alguns minutos, por exemplo. Assim, devemos respeitar estas diferenças e o processo de autorização dos medicamentos. O que pode ser aceitável para o homem, pode não ser suficientemente seguro para a mulher.”

Enquanto o medicamento não é aprovado, os recursos disponíveis no tratamento da disfunção sexual feminina são psicoterapia e uso de hormônios.

Por: Bia Souza
Do UOL, em São Paulo


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