Collor faz discurso e diz que Ministério Público ‘é tomado por incompetentes’

Publicado em 9 de Março de 2015

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Em sua primeira manifestação diante do pedido para que seja investigado no caso da Operação Lava-Jato, o senador Fernando Collor (PTB-AL) fez duras críticas ao Ministério Público, afirmando que um “grupelho” se instalou naquele Poder. Collor criticou o procurador-geral das República, Rodrigo Janot, afirmando que ele descumpriu normas do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), que determinam a notificação de pessoas envolvidas ou citadas em investigações.

O ex-presidente da República, no entanto, não negou as acusações ou deu explicações para os fatos. Collor atacou a atuação do Ministério Público e, em contrapartida, elogiou o fato de o relator do processo no Supremo, Teori Zavascki, por ter disponibilizado as informações dos pedidos de abertura de inquérito encaminhados, na sexta-feira, pelo Ministério Público ao Supremo.

Nos depoimentos dentro da Operação Lava-Jato do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, Collor é acusado de ter recebido depósitos de até R$ 50 mil em suas contas. No dia 26 de maio, Collor tinha ido à Tribuna rebater as acusações, que apareceram na imprensa, naquele momento.

O que nos resta é lamentar a postura parcial e irretratável frente a todo o processo de um grupelho instalado no Ministério Público, que, oportunamente, passou a influenciar e a ditar a atuação do procurador-geral da República. Condutas dessa espécie, sob o manto de um inimaginável poço de virtudes éticas, não fortalecem as instituições, menos ainda amadurecem a nossa democracia — disse Collor, o primeiro a fazer discurso sobre o assunto na sessão do Senado desta segunda-feira.

Collor disse que aparecer em listas “não significa absolutamente nada” e que o momento político é de “cautela”.

Em prol da transparência pública, agiu corretamente o ministro Teori Zavascki ao quebrar o suposto sigilo dos inquéritos. Ainda é prematuro, neste momento, entrar no mérito e no conteúdo das peças já disponibilizadas, até porque, na prática da Justiça, listas de nomes sem provas não significam absolutamente nada. Politicamente, recomendam-se a devida serenidade e a prudência que o grave momento institucional requer disse Collor.

O senador ainda chamou a postura do Ministério Público de “cínica”.

Retardar a abertura de inquéritos para evitar a Súmula 14 do Supremo Tribunal Federal, sob alegação do procedimento dito secreto. Cinismo. Isso chega a ser uma agressão. Sonegar de forma absoluta as informações das pessoas citadas definitivamente não se coaduna com o Estado de Direito.

O fato concreto, é que até o momento, o Ministério Público, coadjuvado histericamente pelos meios, criou, em torno da delação premiada, todo um ambiente hostil, uma autêntica panaceia pré-condenatória em que a palavra de um notório contraventor vaie mais do que as prerrogativas de um agente investido de mandato parlamentar disse Collor.

Para ele, os depoimentos conflitantes daqueles que foram beneficiados pela delação premiada levaram ao arquivamento de alguns casos e de outros, não. Ele criticou o fato, lembrando que isso beneficiou a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

 O assanhamento dos meios é visível e já se espraiou por toda a sociedade. Contudo, este cenário, num clima de terra arrasada, vem sendo demasiadamente corroborado pela atuação do próprio Ministério Público, especialmente quanto ao suposto envolvimento de autoridades e agentes políticos disse Collor.

LÍDER DO PT DIZ ESTAR ‘INDIGNADO’

Logo depois, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), subiu à Tribuna para se defender. Mas, neste caso, Humberto Costa negou todas as acusações e disse estar “indignado” com o seu envolvimento no caso. O petista repetiu os argumentos dados em nota divulgada na última sexta-feira.

— Surpresa, porque, em três décadas de vida pública, não há qualquer ato que eu tenha praticado do qual possa me envergonhar ou que envergonhe todos aqueles que me elegeram para diversos cargos ao longo da minha vida política disse.

Não me considero melhor nem pior do que ninguém, mas sempre pautei minha conduta pela lisura, pela correção, pelo respeito à coisa pública e, especialmente, pelo respeito àqueles que sempre me honraram com seus votos e sua confiança. O nome saiu (publicado), é bandido! O nome é citado, é ladrão! Que país é esse? — disse Humberto Costa, levantando os braços e quase aos gritos, e acrescentando:

Jamais os mandatos que exerci e os cargos públicos que ocupei foram desonrados por comportamentos incompatíveis com a retidão pela qual sempre pautei o exercício da minha atividade política. De tudo isso, decorre também a indignação com que encarei a abertura desse inquérito, uma sensação de profunda injustiça por ser envolvido em um processo com o qual nada tenho a ver.

Humberto Costa disse que está sendo submetido à “tortura política” e a um “linchamento moral”.

Agora, lamentavelmente, a história se repete com essa Operação Lava Jato. Novamente sou lançado à arena do espancamento público e ao açodado tribunal da culpa prévia, no qual um pedido de investigação, baseado em elementos frágeis  e eu vou mostrar que os elementos são frágeis, é antecipadamente transformado em sentença condenatória nos veículos de comunicação e nas redes sociais  disse Humberto Costa.

O petista apontou conflitos nos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef sobre uma suposta doação à sua campanha ao Senado, em 2010. Um afirmou que seria dado a R$ 1 milhão, na cota do PP, mas o outro não teria confirmado. Ele lembrou que sempre recebeu doações legais e oficiais e que é acusado como líder do PT, sendo que em 2010 nem era senador.

O procurador-geral é o homem mais poderoso da República, porque tem o poder de acusar ou de inocentar alguns  disse Humberto Costa.

“Agora Brasil sem duvidas todos esse corruptos se acham inocente que país é esse mesmo”.


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