Justiça Independente: “Linha dura” do TJ se prepara para comandar Judiciário do Acre

Publicado em 3 de Fevereiro de 2015

desembargadora-sezarinete angelim

Depois de um aliado do governador Tião Viana conduzir os rumos do Poder Judiciário acreano nos últimos dois anos, o Tribunal de Justiça do Acre se prepara para ficar sob o comando da chamada “linha dura”, campo composto pelos desembargadores apontados como mais “independentes”. Na próxima sexta-feira (6) assume a cadeira da presidência a desembargadora Maria Cezarinete Angelim.

Ela ganhou o status de “linha dura” após o conturbado julgamento do processo da operação G7, desencadeada pela Polícia Federal em maio de 2013, e que prendeu empreiteiros e secretários do governo acusados de corrupção. À época, ela colocou metade de seus colegas sob suspeição, o que os impedia de proferir qualquer sentença, e remeteu o caso diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ela terá como vice-presidente Denise Bonfim, desembargadora responsável por decretar a prisão dos investigados pela PF. As duas ganharam a alcunha de “damas de ferro”, e “Joaquim Barbosa de saias”, numa referência ao então ministro do STF responsável pela condenação dos envolvidos no mensalão do PT.

As duas viraram inimigas número um do Palácio Rio Branco. Em evento de apoio aos presos da operação G7 feito pelo governo, as duas foram chamadas de “más amadas e más resolvidas” pelo agora ex-senador Aníbal Diniz (PT).

Cezarinete e Bonfim são oriundas da magistratura, o que facilitará a fluidez de uma boa presidência, não enfrentando barreiras na classe de baixo dos magistrados. A origem também assegura maior independência do Judiciário, já que seus postos não são frutos de interferências políticas externas.

O atual presidente, Roberto Barros, é da cota do chamado quinto constitucional, vagas preenchidas por membros da advocacia e do Ministério Público, cuja escolha passa diretamente pelo governador. A tendência é de Barros assumir a presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), organizando, assim, as eleições de 2016. Até 2012 ele era procurador-geral do Estado.

Como corregedor-geral do TJ/AC ficará Regina Longuini, também membro da magistratura. Juntas, as três somam 60 anos de carreira no Judiciário, superando até a idade do Judiciário acreano, que em 2013 completou 50 anos.

Por: Fábio Pontes


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