De onde vem a maldade?

Publicado em 18 de Fevereiro de 2015

a maldade

Se você tivesse a chance de colocar um punhado de insetos inofensivos dentro de uma máquina trituradora, iria gostar da experiência? E que tal assustar um desconhecido com um barulho alto e insuportável?

Esses são alguns dos testes realizados pelo psicólogo Delroy Paulhus na tentativa de entender as personalidades “nefastas” que andam por aí.

Ele basicamente quer responder a uma pergunta que muitos de nós já fizemos: por que algumas pessoas têm prazer em serem cruéis? Não aquelas classificadas como psicopatas ou condenadas por crimes violentos, mas especificamente os bullies das escolas, os trolls da internet e até membros da sociedade tidos como respeitáveis, como políticos e policiais.

Segundo Paulhus, é muito fácil tirar conclusões rápidas e simplistas sobre esse tipo de indivíduo. “Temos uma tendência a querer simplificar o mundo dividindo as pessoas entre as boas e as más”, afirma o psicólogo, professor da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá.

Mas, segundo ele, existe uma “taxonomia” para os diferentes tipos de maldade encontradas no dia-a-dia.

‘Tríade do Mal’

O interesse de Paulhus começou com os narcisistas – indivíduos incrivelmente egoístas e vaidosos que atacam os outros para defender sua própria autoestima.

Há pouco mais de uma década, um aluno seu, Kevin Williams, sugeriu que explorassem a possibilidade de essas tendências ao egocentrismo estarem ligadas a duas outras características desagradáveis: o maquiavelismo (uma manipulação fria) e a psicopatia (uma insensibilidade aguda e indiferença ao sentimento dos outros).

Juntos, os dois cientistas descobriram que os três traços eram bastante independentes, apesar de às vezes coincidirem, formando uma “Tríade do Mal”.

A honestidade dos voluntários nos testes de Paulhus o surpreendeu. Ele percebeu que os participantes que concordavam com frases como “Gosto de provocar pessoas mais vulneráveis” ou “Não é uma boa ideia me contarem segredos” geralmente se abriam sem pudor e tinham passado por alguma experiência de bullying, na adolescência ou na vida adulta.

Essas pessoas também apresentaram uma tendência maior a serem infiéis a seus parceiros e a trapacear em exames.

Paulhus notou ainda que essas características não apareciam em um primeiro contato frente a frente com o voluntário. “Essas pessoas estão lidando com a sociedade cotidianamente, por isso têm autocontrole suficiente para não se meterem em confusão. Mas uma coisa ou outra em seu comportamento acaba chamando a atenção”, afirma o psicólogo.

Fonte: BBC Brasil


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