CORRUPÇÃO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS NO BRASIL

Publicado em 22 de fevereiro de 2015

abutres

A década de 90 marca o boom de trabalhos e ações provenientes de organismos multilaterais (FMI, OEA, Banco Mundial e OCDE) e de estudos acadêmicos sobre corrupção. Isso se deve, em parte, a maior percepção dos cientistas, principalmente dos economistas, sobre as graves conseqüências sócio-econômicas desse fenômeno.

Alguns teóricos defendem que, em algumas situações específicas, a corrupção pode ser um facilitador do crescimento ou do funcionamento do sistema econômico, servindo como uma espécie de óleo dentro de um ambiente com excessiva regulamentação e burocratização.

Atualmente, tal visão tem poucos adeptos. Se a corrupção oferece uma momentânea eficiência ao sistema econômico superburocratizado ou sobreregulado, a tendência é que, ao longo do tempo, essa aparente “eficiência” desmorone como um castelo de cartas. O preço da propina tenderá a aumentar e mais agentes serão incentivados a participar da farra e a sangria será incontrolável
Quais as principais causas que envolvem esse fenômeno? Existem várias mas as que seguem são consensuais entre os estudiosos, tais como: instituições fracas, impunidade, excesso de regulamentação e de tributos, Estado centralizador, falta de controle e baixa transparência na administração pública, financiamento de campanhas eleitorais e a ausência de uma imprensa livre.

Cada um desses fatores causais mencionados determinarão o grau de corrupção presente numa sociedade. Os mistérios em torno das causas vêm sendo desvendados pelos cientistas sociais, pois os remédios só serão eficazes se o diagnóstico dos determinantes da corrupção for conhecido com clareza.

Estudos empíricos mostram que as principais conseqüências da corrupção são o aprofundamento da miséria, da injustiça social e de desempenhos medíocres nos índices de crescimento e desenvolvimento econômico e social.

Ainda do ponto de vista econômico, entre outras conseqüências, a corrupção é vista como um custo adicional a ser incorporado no cálculo da taxa de retorno dos investimentos. Num quadro de corrupção endêmica, esse cálculo se torna complexo aumentando o componente de incerteza dos investidores que tenderão a diminuir o fluxo de investimento privado. Menor investimento implica em menor crescimento econômico, renda e emprego.

Do ponto de vista social a corrupção é ainda mais perversa. Em pleno século XXI, pessoas continuam morrendo em filas de hospitais e crianças por falta de saneamento básico. Recursos públicos na área social existem e não são poucos, mas se perdem no meio do caminho no emaranhado da burocracia e, sobretudo, da corrupção.

Portanto, as conseqüências da corrupção ultrapassam os limites da moral e da ética e atingem, perversamente, a vida de seres humanos. Acreditem, a corrupção mata!

Por: Luís Filipe Vellozo de Sá


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