Após série de derrotas no Congresso, Dilma recorre a Lula

Publicado em 12 de fevereiro de 2015

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Na tentativa de reagir à crise política que enfrenta, com sucessivas derrotas no Congresso, a presidente Dilma Rousseff decidiu recorrer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se encontra nesta quinta-feira, 12, em São Paulo. Além disso, o Palácio do Planalto intensificou as negociações dos cargos de segundo escalão com os aliados.

O encontro de Dilma e Lula vinha sendo tratado sob sigilo pelo governo. A presidente queria evitar a interpretação de que ela mais uma vez pedia socorro ao padrinho político. Tanto que tentou transferir a agenda com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que seria realizada nesta tarde, em Brasília, para a manhã de hoje, na capital paulista. Assim, quando terminasse a reunião, Dilma sairia para o encontro com Lula, sem que fosse necessário incluir o compromisso na agenda.

A presidente e Steinmeier vão se reunir para tratar da visita de Estado de Angela Merkel ao Brasil em agosto. O ministro alemão, porém, só chega ao País na sexta e o encontro foi transferido.

A presidente Dilma Rousseff embarca para São Paulo no início da manhã e realiza exames de rotina no hospital Sírio-Libanês. Depois ela se reúne com Lula. O encontro não está previsto em sua agenda oficial.

A relação entre Dilma e seu antecessor está estremecida desde o ano passado, após ela se negar a acatar sugestões do ex-presidente. Lula, por exemplo, defendia a substituição do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, troca feita por ela apenas neste ano, no segundo mandato. O ex-presidente também defendia que a presidente da Petrobrás, Graça Foster, fosse substituída há semanas. Mas a nomeação de Aldemir Bendine em seu lugar só ocorreu na semana passada. A crise na economia acabou contaminando também a política. A avaliação da presidente despencou.

Na quarta, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, um dos petistas mais próximos a Lula, reuniu-se com o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e depois com Jaques Wagner (Defesa). Marinho procurou minimizar o momento do governo, afirmando que o País já superou “crises muito piores”. “Esta é fichinha.”

Cargos

O governo também definiu uma série de ações no Congresso para tentar diminuir a crise. Uma primeira articulação ocorreu com o PRB e mais oito partidos nanicos, que, juntos, somam 39 deputados. O bloco ficou na órbita de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante a campanha para a presidência da Câmara. Foram oferecidos a eles cargos no Ministério do Esporte, comandado por George Hilton (PRB). A iniciativa irritou os presidentes das legendas.

“(O governo) Ofereceu cargos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica para o bloco. E agora o PRB está oferecendo para estes deputados participarem do bloco com cargos no Ministério do Esporte”, disse Levy Fidelix, presidente do PRTB. Até a conclusão desta edição, o PRB ainda não havia se manifestado.

Responsáveis pela articulação política do governo se reuniram na quarta com parlamentares de diversas legendas.

Também foram acertadas reuniões de ministros e até da presidente com os partidos. A primeira deve ocorrer no dia 24 e terá como tema a discussão das medidas provisórias que tratam de alterações em regras trabalhistas, tema que tem enfrentado ampla rejeição na base, na oposição e até mesmo no PT. A expectativa é de que Dilma participe deste encontro. Líderes da base também terão reuniões semanais com ministros e, uma vez por mês, Dilma também deve encontrá-los.

Lava Jato

O governo também decidiu partir para o ataque à oposição sobre a Operação Lava Jato. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ao Estado que a oposição quer “encobrir o passado e criar um clima passional no País” contra a presidente Dilma.

Em outra frente, o PT entregou nesta quarta uma representação à Procuradoria-Geral da República para que a operação investigue possíveis crimes cometidos durante o governo Fernando Henrique Cardoso.


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