Agente penitenciário executado é velado no dia do aniversário em Rio Branco/AC

Publicado em 3 de fevereiro de 2015
Anderson Albuquerque ao lado do seu filho de dois anos (Foto: Arquivo pessoal)

Anderson Albuquerque ao lado do seu filho de dois anos (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo informações extra oficiais, a vítima há pouco mais de dois meses matou um marginal do bairro Taquari que havia roubado alguns objetos de sua casa localizada no mesmo bairro. Ha uma grande probabilidade de que tenha sido acertos de conta, por parte da família do marginal morto pelo agente.

Assassinado com 10 tiros, Anderson denunciou ameaça de morte. ‘Eu recomendava ele todos os dias a Deus. Era um amigão’, diz mãe.

O velório do agente penitenciário Anderson Albuquerque, morto com dez tiros na noite desta segunda-feira (2) em Rio Branco, acontece no dia em que ele faria 29 anos, segundo confirmou a mãe da vítima, Carla de Albuquerque, de 48 anos. Ainda estarrecida com a notícia, a mãe contou ao G1 que o filho tinha sido ameaçado por um suspeito que o acusava de matar o irmão, mas que em momento algum imaginava que a ameaça se cumpriria. “Eu recomendava ele todos os dias a Deus. Era um amigão”, diz emocionada.

O agente penitenciário foi morto no bairro da Paz quando chegava em casa do serviço. A mãe soube da notícia através da esposa havia me contado das ameaças, pedia para ele ter cuidado com a família também. “Porque a gente sabia que ele não tinha culpa do que estavam lhe acusando (de ter matado um jovem de 17 anos há meses), mas as pessoas com a ira não pensavam nisso”, diz entre lágrimas.

Mãe de dois filhos, ela agora fica com o mais novo de 28 anos e que também está se formando na academia da Polícia Militar para trabalhar na Segurança Pública do estado. Abalada, ela diz que perdeu mais que um amigo e sim um companheiro. “O coração dele era tão bom que imaginava que nada de mal poderia acontecer com ele. Ele faria 29 anos hoje [terça-feira, 3], era cheio de saúde, um menino meigo e um companheiro. Mais que um filho”, lembra.

Os agentes devem se reunir para acompanhar o velório de Anderson que acontece durante o dia na capela São João Batista, na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco A pedido da família, o velório não será aberto para a imprensa. O agente deixa um filho de dois anos e a esposa.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindape-AC), Adriano Marques informou ainda que a direção da penitenciária havia oferecido um afastamento com ônus, mas o servidor não aceitou. Como segurança foram disponibilizados equipamentos de proteção individual.

“Acreditamos que essas execuções estão diretamente ligadas ao nosso trabalho. A partir de agora vamos fazer uma assembléia e deliberar um calendário de protestos para os próximos dias. A categoria está aflita e inicialmente vamos montar grupos para fazer ronda nas casas dos agentes, também vamos passar a sair em grupos para irmos ao trabalho juntos”, destaca.

O secretário de Segurança Pública, Emylson Farias, ressaltou que a ação mais uma vez se configura como um “atentado ao Estado” e que ao menos sete delegados estão fazendo diligências desde o momento do crime em busca dos suspeitos. “Mobilizamos um plano de chamada, os policiais que estavam em suas casas foram para as ruas. É uma ação forte e firme que o Estado está promovendo para colocar essas pessoas atrás das grades. Pedimos calma, serenidade e que vocês acreditem nas instituições”.

Entenda o caso

Com a morte de Anderson, sobe para quatro o número de agentes mortos em menos de um mês. No dia 30 de janeiro o agente penitenciário Edmilson da Silva Freire, de 44 anos, foi encontrado morto com seis tiros na cabeça, dentro do banheiro de sua casa, localizada no Conjunto Universitário, em Rio Branco. Kelly Tavares, de 22 anos, foi apontada como autora do crime.


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