Em Rio Branco, 115 jovens deverão ser assassinados antes dos 19 anos de idade

Publicado em 29 de janeiro de 2015

Estimativa para os próximos cinco anos é do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA)

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No Estado do Acre, inúmeros adolescentes correm risco de não chegar à idade adulta nos próximos cinco anos. Em média, 1,22 a cada mil na faixa etária de 12 a 18 anos poderão ser vítimas de assassinatos antes de completarem 19 anos, de acordo com projeção da 5ª edição do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgado ontem, 28. Por Estado, o Acre é o penúltimo no ranking.

Conforme o estudo, esses jovens estão inseridos no grupo de vulnerabilidade social em relação à criminalidade. A maioria das vítimas será de homens e negros. O Estado possui o 14º pior IHA do País.

Calculado pelo Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os dados foram divulgados pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e pela Organização Não Governamental (ONG) Observatório de Favelas.

Entre as capitais, Rio Branco ocupa a 25ª posição no ranking, com IHA, também, de 1,22 para cada mil adolescentes. O número de assassinatos esperados na capital acreana é 115 jovens entre 12 a 18 anos até 2019, segundo o PRVL.

“Políticas e policiamento orientado para o problema derrubam indicadores de violência”

São as políticas voltadas para a infância e juventude e o policiamento orientado para o problema que fazem do Acre um dos poucos Estados que podem comemorar baixos índices de assassinato de adolescentes. Entre os municípios, o campeão é Itabuna, na Bahia, com Índice de Homicídios de Adolescentes (IHA) de 17,11. A arma de fogo é o principal meio para as mortes, segundo a pesquisa realizada por um conjunto de organizações lideradas, no estudo, pelo Unicef. Rio Branco, nesse sentido, é uma capital pacífica. “O policiamento orientado para o problema tem sido decisivo na redução da morte de menores, fenômeno geralmente associado à lícitos como o tráfico de drogas”, avaliou o coronel aposentado da Policia Militar do Acre, Paulo Cézar Santos, que especializou-se em segurança pública na Europa e nos Estados Unidos, nas alas de forças como a famosa Swat.

Hoje, os assassinatos são responsáveis por 36,5% das mortes de jovens de 12 a 18 anos no país, percentual maior que o da população em geral, de 4,8. O estudo não indica as motivações para os crimes, mas afirma se tratar de um problema associado à violência urbana. Para o coronel Paulo Cézar, a nova da Secretaria de Segurança tem o perfil voltado para o policiamento preventivo, capaz de identificar tendências ao ilícito antes mesmo de ele acontecer. “Com isso, os índies de homicídios de adolescentes cairão ainda mais no Acre”, disse Paulo Cézar.

Maior risco está no Ceará

Fortaleza, com taxa de 9,92 por mil, lidera o ranking entre as capitais, seguida por Maceió (9,37), Salvador (8,32) e João Pessoa (6,49).

Entre as regiões, o Nordeste lidera o ranking com 5,95 e um número projetado de assassinatos de adolescentes entre 2013 e 2019 é de 16.180. Em seguida, vem a Região Centro-Oeste com IHA de 3,74 e 3.373 homicídios estimados. Já a Região Norte, com taxa de 3,52, tem projeção de 3.908 assassinatos. O Sudeste, que embora tenha um índice de 2,25, apresenta estimativa de 14.323 assassinatos de adolescentes.

A pesquisa foi realizada em mais de 280 municípios com mais de 100 mil habitantes. Os pesquisadores analisaram dados do Ministério da Saúde (MS) e do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) para chegar ao índice, que demonstra o risco dos adolescentes em relação aos homicídios.

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Fonte: A Tribuna


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