Em passagem relâmpago, Dilma é estrela internacional da posse de Morales

Publicado em 23 de janeiro de 2015

A presidente Dilma Rousseff fez uma passagem relâmpago por La Paz e não compareceu a toda a programação prevista para a cerimônia de posse do terceiro mandato de Evo Morales. Ainda assim, foi tratada como a presença internacional mais importante do evento.

dilma e morales

Ela foi a primeira chefe de Estado a ser cumprimentada no discurso de Morales – numa quebra de protocolo, já que normalmente se anuncia primeiro quem confirmou mais antecipadamente a presença na posse, o que não foi seu caso.

Sua imagem foi também exibida várias vezes na transmissão da TV estatal canal Siete. Além disso, ficou exatamente ao lado de Morales na foto oficial, melhor posicionada que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Em seguida, Dilma foi embora, enquanto Maduro acompanhou Morales na sacada do Palácio do Governo, cumprimentando delegações de movimentos sociais de vários países que desfilavam em frente ao prédio. Neste momento, tocou longamente a Internacional, hino comunista, seguida de música folclórica boliviana.

A vinda da presidente teve como objetivo reabrir as relações com a Bolívia, que, segundo avaliação do próprio Itamaraty, ficaram em “banho-maria” no seu primeiro mandato.

A BBC apurou que, apesar da passagem de cerca de quatro horas no país, o Itamaraty considera que a visita foi simbólica e abre espaço para que seja agendada uma ida oficial da presidente à Bolívia.
Ela veio em um momento difícil de início do segundo mandato e deixou de ir ao Fórum Econômico de Davos, que está sendo realizado nesta semana na Suiça.

O ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva visitou nove vezes a nação em seus dois mandatos entre 2003 e 2010, mas Dilma não foi ao país uma vez sequer durante seu primeiro mandato (2011-2014).
“A presença da presidente Dilma na posse de Evo Morales é um pouco um ponto de partida para uma integração cada vez mais acelerada, mais forte, entre os dois países”, afirmou após a posse o embaixador Antônio Resende de Castro, encarregado de negócios na embaixada brasileira em La Paz.

Laços estremecidos

Os laços entre os dois países ficaram estremecidos nos últimos anos, principalmente depois do asilo político concedido ao senador oposicionista Roger Pinto Molina, em 2012, que passou 15 meses vivendo na embaixada brasileira em La Paz. Em agosto de 2013, o diplomata Eduardo Saboia fugiu com o senador para o Brasil, mesmo sem autorização prévia do Itamaraty.

Desde a fuga do senador, a Embaixada brasileira em La Paz não tem um embaixador oficial. O cargo vem sendo ocupado interinamente desde a retirada de Marcel Biato, que não agradava a Morales, porque o Senado brasileiro não quis aprovar a nova indicação de Dilma, Raymundo Santos Rocha Magno, até que fosse concluída a sindicância sobre o caso Molina.

A expectativa do Itamaraty é que, com o novo Congresso que toma posse em fevereiro, a indicação seja aprovada.
Na avaliação do governo brasileiro, o caso está totalmente superado agora. A ministra da Comunicação da Bolívia, Amanda Davila, também deu declarações à imprensa nesta semana dizendo que o assunto é passado.
Além de cumprimentar Dilma logo no início do discurso, Morales agradeceu nominalmente a presidente pelo tratamento de saúde que o governador de Cochabamba recebeu no Brasil.


Deixe o seu comentário:

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores.