A OPOSIÇÃO

Publicado em 12 de janeiro de 2015

Lourembergue

Posicionar-se é sempre a tarefa primeira do cidadão. De todos. Não de apenas meia dúzia deles. Exigência da própria vida em democracia. Esta é plural, nunca uniforme.

Ainda que haja – e isso é correto – toda uma movimentação com o fim de atrair maior número de pessoas em torno de uma leitura sobre uma situação-problema. Por conta disto, não é errado que os parlamentares, ou a maioria deles, votem a favor de um projeto do governo. Isto, contudo, não elimina, nem deveria eliminar a existência da oposição, mesmo com a tão falada governabilidade, à moda brasileira.

O modelo de governabilidade que se tem por aqui, ao contrário do que deveria ser, esconde a incapacidade do governante em defender as suas causas, bem como as razões delas. Isto, contraditoriamente, revela o próprio despreparo dos políticos da terra em dialogar e negociar – seja quando se encontram na chefia do Executivo, na situação ou na oposição no tabuleiro da política.

Eles desconhecem, portanto, o fato de que a atuação política se realiza no instante em que os sujeitos são capazes de pensar no lugar e na posição dos outros, não em um permanente diálogo e negociação consigo mesmos, mas sim com quem eles devem chegar a um acordo.

Percebe-se, então, o porquê se compram apoios na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Existe, nesse sentido, todo um conjunto de ações para enfraquecer e minar a resistências dos oposicionistas. Estas, pelo menos nas últimas décadas, se veem apagadas. Fogem dos debates.

Pior ainda: se mostram incompetentes na tarefa de apresentarem os desacertos do governo. Falta-lhes, infelizmente, a condição de orador, de opositor. Esvaíram-se, desse modo, os tempos em que a oposição se portava como tal, ainda que vez ou outra votasse a favor do governo.

Diferentemente, portanto, de até recentemente, com todos se portando como caititus – no dizer de um deles. A legislatura vindoura não terá comportamento distinto. Nem no cenário nacional, tampouco no regional.

A respeito do mato-grossense, aliás, se ouve que o atual governador irá encontrar enormes dificuldades, tão logo a nova legislatura se inicie, especialmente em função dos decretos editados, com os quais suspendeu pagamentos, admissões, contrações e concursos públicos, além de falar na exoneração de até dois mil comissionados.

O histórico das duas últimas décadas da Casa Legislativa, porém, vai a outra direção, com o governo conquistando a maioria dos deputados estaduais.

Isso ocorre concomitantemente à eleição da Mesa Diretora, assegurada por benefícios, quer em forma de colocações no segundo escalão ou na liberação de emendas. Assim, pouquíssimos serão os deputados oposicionistas. Menos de um terço, talvez, dos treze eleitos. A vontade do eleitor, nesse caso, será ignorada.

Ter-se-á, portanto, rompantes oposicionistas. E isso não é o mesmo que se ter uma oposição de fato. Esta é necessária. Imprescindível. Não de forma irresponsável, nem no sentido apenas de ser do contra. Pois o ser oposicionista não significa necessariamente contrário aos avanços e aos projetos relevantes para a sociedade.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista político em Cuiabá.

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