Manoel da Gameleira: uma história de amor à floresta e ao extrativismo no Acre

Publicado em 13 de janeiro de 2014

Da Redação folhadojurua.com.br

Ex-seringueiro, Gameleira dedicou boa parte de sua vida a defesa do extrativismo e proteção das florestas

Com 75 anos de vida dedicados ao extrativismo nas florestas do Acre, o presidente da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), Manoel José da Silva, o ‘Manoel da Gameleira’, hoje vive um sonho que carregou por vários anos. Gameleira é um dos herdeiros dos ideais do líder seringueiro Chico Mendes e dedicou boa parte de sua vida a fortalecer o cooperativismo e a proteção da floresta. Há treze anos, Manoel está a frente da Cooperacre.

Manoel da Gameleira dedica-se a defesa do extrativismo e da floresta.

Manoel da Gameleira dedica-se a defesa do extrativismo e da floresta.

“Muitas vezes fui ameaçado de morte, diziam que eu ainda amanheceria com a boca cheia de formiga. Não lembro quantas vezes pastoramos pistoleiros para que não matassem nossos companheiros”, desabafa Manoel sobre os obstáculos que enfrentou até concretizar seu sonho. “Infelizmente não conseguimos impedir a morte de Chico, mas sei que a sua morte impediu a morte de outros companheiros. Talvez, por isso, estamos aqui contando essa história.” Na cooperativa, Manoel lidera mais de 150 funcionários e cerca de vinte empresas associadas em mais da metade dos 22 municípios acreanos.

Nascido em uma colônia (sítio) nos arredores de Rio Branco, Manoel da Gameleira cortou seringa boa durante boa parte de sua vida. Hoje é um dos mais antigos líderes de seringueiros do Acre e se tornou um símbolo do cooperativismo na Amazônia. A Cooperacre nasceu em 2001 com a junção de três associações extrativistas dos municípios de Sena Madureira, Capixaba e Feijó. A intenção, era facilitar a venda dos produtos extrativistas do estado. Até então, a maior parte dos extrativistas estava concentrada em municípios, onde a dificuldade de logística e comercialização era muito maior do que na capital.

Foi então que governador da época, o senador Jorge Viana, resolveu apoiar a criação de uma central de cooperativas que reunisse todas as cooperativas de extrativistas do estado, para assim garantir a comercialização dos seus produtos. Inicialmente a cooperativa recebeu do governo do Estado um galpão na cidade de Rio Branco, local onde eram armazenados os produtos. Posteriormente, com os benefícios cedidos pelo governo federal, foi possível comprar os produtos dos extrativistas a um preço justo, estocar e aguardar o melhor momento para a venda.

Mas foi com a construção de duas indústrias de beneficiamento de castanha, em Brasiléia e Xapuri, pelo governo do Acre, que a Cooperacre deu seu primeiro salto de crescimento. Quando assumiu a indústria de Brasiléia, em 2006, começou pela primeira vez, a beneficiar castanha e exportar para outros estados brasileiros.

“Até então, só vendíamos castanha in natura para São Paulo e Bolívia. E a partir de agosto de 2006 começamos a agregar valor ao nosso produto”, esclareceu Manoel, hoje superintendente da cooperativa. Atualmente a Cooperacre possui 30 galpões comunitários para armazenamento, quatro galpões centrais e cinco indústrias para beneficiamento de castanha, polpas de frutas e látex.

Fonte: portalamazonia


Deixe o seu comentário:

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores.