Ladeiras contam histórias de Cruzeiro do Sul, no Acre

Publicado em 27 de Janeiro de 2014

Cidade de 109 anos foi se desenvolvendo em meio às ladeiras. Formação do relevo é pesquisada pela Universidade Federal do Acre.

Cruzamento na subida da Ladeira da Remela (Foto: Francisco Rocha/G1)

Cruzamento na subida da Ladeira da Remela (Foto: Francisco Rocha/G1)

Ladeira do Bode, Ladeira da Remela, Morro dos Quibes e estrada Tiro ao Alvo. Não é à toa que Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, é conhecida como a cidade das ladeiras. Com um revelo que difere do restante dos municípios acreanos, a cidade de 109 anos foi se desenvolvendo em meio aos altos e baixos e chama a atenção com ladeiras que ultrapassam os 10 metros de altura.

Algumas de suas ladeiras foram batizadas com nomes inusitados pelos próprios moradores. Um dos morros mais altos de Cruzeiro do Sul é o Morro da Glória, localizado na região central. O nome é uma homenagem à padroeira Nossa Senhora da Glória, que teve a primeira igreja construída no alto do morro por arquitetos alemães, na década de 1930.

Quem vai ao Morro da Glória, pela Avenida Boulevard Thaumatugo, passa pela escadaria da escola São José, sobe a ladeira do Paraíba, passa pelo Café no Morro e contempla a beleza da cidade lá do alto. O local inspira muitos artistas locais como é o caso do cantor e compositor Alberan Morais.

“Olhar a cidade aqui de cima faz a gente viajar nos pensamentos, já gravei três discos, quase todas as músicas foram feitas aqui no alto do morro. Sempre digo que aqui é minha área onde tenho inspirações, todos os dias subo o morro para contemplar o horizonte”, diz o cantor.

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Ainda no Centro, na descida da ladeira do Cais, está o Mercado Sebastião Edwirges, conhecido popularmente como ‘Minhocão’, cheio de frutas e verduras, onde ocorre a feira livre aos sábados. O mercado, construído há 13 anos pela prefeitura municipal, recebeu o nome por ser longo e estreito.

Quem passa pelo Minhocão tem que subir pelo Cais que ainda mantém a mesma estrutura dos anos de 1900. O Cais faz parte da história de Cruzeiro do Sul. “Por ele, chegavam os navios e o progresso da cidade. Isolada na faixa de fronteira com o Peru, o único acesso ao restante do país era pelo Rio Juruá, quando um navio se aproximava o povo todo corria para o Cais, para receber os visitantes”, lembra seu Adílio Nogueira Maciel, de 101 anos, um dos moradores mais antigos da cidade.

Próximo ao Centro está o bairro da Baixa, onde fica o Morro dos Quibes, partindo para outro lado da cidade. Passando pela Avenida Copacabana, tem a Ladeira do Bode e a Ladeira da Remela. Subindo a Avenida 25 de Agosto, chega na estrada do Tiro ao Alvo. Seguindo em frente, encontram-se mais algumas ladeiras pelo bairros Cruzeirão e Telégrafo. Lá, está mais um morro sem tamanho, o Morro do Bezerrão, que tem o nome de um ginásio coberto construído na subida da ladeira, por um dos prefeitos da cidade que tinha o sobrenome “Bezerra”.

Fonte: G1/AC

 


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