Pesquisadores estão mais próximo de anticoncepcional para homens

Publicado em 4 de dezembro de 2013

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Pesquisadores australianos estão mais próximos de sintetizar uma pílula anticoncepcional para homens – mas o medicamento ainda levará mais de dez anos para chegar às farmácias. Os pesquisadores da Universidade Monash, em Melbourne, encontraram uma forma reversível de impedir que os espermatozóides saiam junto com a ejaculação, sem afetar a função sexual.

Testes em animais mostraram que o esperma pode ser mantido “em estoque” durante a relação.

A busca por um anticoncepcional masculino até o momento se concentrou em pesquisar como os homens poderiam produzir espermatozóides não-funcionais.

Mas, alguns medicamentos usados com este objetivo também tinham efeitos colaterais considerados “intoleráveis”, segundo Sabatino Ventura, um dos pesquisadores da Universidade Monash.

Estes medicamentos provocavam a infertilidade, mas também afetavam o apetite sexual ou causavam alterações permanentes na produção dos esperma.

A descoberta foi publicada na revista especializadaProceedings of the National Academy of Sciences.

Estoque

Para chegar a este novo anticoncepcional masculino, os pesquisadores australianos tentaram uma abordagem diferente. Normalmente o esperma sai da “área de estoque” no canal deferente antes da ejaculação.

O grupo de pesquisadores produziu camundongos geneticamente modificados que não conseguiam expelir o esperma para fora do canal deferente.

– O esperma fica no local de estocagem então, quando o camundongo ejacula, não há esperma, ele é estéril – disse Ventura à agência britânica de notícias BBC.

– É facilmente reversível e o esperma não é afetado, mas precisamos mostrar que podemos fazer isto em termos farmacológicos, provavelmente com dois medicamentos – acrescentou.

Até o momento o grupo de pesquisas fez com que os camundongos ficassem estéreis mudando o DNA dos roedores para que eles parassem de produzir duas proteínas necessárias para mover o esperma.

Agora, os cientistas precisam descobrir duas drogas que possam produzir o mesmo efeito. Eles acreditam que uma delas já foi desenvolvida e é usada há décadas em pacientes com crescimento benigno da próstata.

Mas, a descoberta do segundo medicamento necessário pode levar até uma década.

O processo descoberto pelos cientistas australianos também não é totalmente livre de efeitos colaterais. As proteínas que foram alteradas pelos cientistas têm um papel no controle dos vasos sanguíneos, então os efeitos colaterais poderão afetar a pressão e o batimento cardíaco.

Mas, pelo menos nos camundongos, a única alteração detectada foi uma queda “muito pequena” na pressão sanguínea. Também pode haver uma alteração no volume da ejaculação.

– É um estudo muito bom, quase como uma vasectomia biológica, que impede a saída do esperma – afirmou Allan Pacey, palestrante de andrologia na Universidade de Sheffield, na Inglaterra.

– É uma boa ideia, mas eles precisam continuar (com a pesquisa) e observar o que faz com as pessoas – acrescentou.

Fonte: C do B


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