Constrangimento palaciano do Acre

Publicado em 9 de dezembro de 2013

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O lançamento da candidatura de Tião Viana à reeleição sábado (7/12) pode ser considerado um dos maiores constrangimentos da política acreana dos últimos anos. Proprietário do PT desde o dia 10 de novembro, quando elegeu Ermício Sena como presidente, Tião Viana não tem conseguido reduzir o clima de hostilidade entre as tendências petistas.

A plenária de sábado teve como ponto alto o boicote das tendências mais à esquerda do partido. Reunidos em torno do deputado federal Sibá Machado, elas obtiveram 42% dos votos no PED (Processo de Eleições Diretas) de 2013. Esta boa votação reduziu o poder de fogo da ala majoritária, assegurando aos grupos um significativo número de cadeiras no diretório.

O diretório é o responsável por garantir a participação de todas as tendências petistas nas principais tomadas de decisão. Diante da votação de novembro, as tendências “sibanistas” teriam ao menos três dos sete cargos do diretório, além de outras acomodações.

Mas a Democracia Radical (DR), tendência hoje que tem Tião Viana como grande líder (Jorge Viana foi destronado), decidiu retaliar seus concorrentes. Os cargos que seriam ocupados pelos “sibanistas” foram revistos e talvez fiquem com a própria DR.

A atitude seria uma retaliação à exposição do pedido de socorro feito por Anibal Diniz (PT) ao grupo de Sibá Machado para salvar sua candidatura à reeleição. O caso foi mostrado pelo blog (Leia o post sos-anibal-diniz) na semana passada. Suplente de Tião Viana, Anibal Diniz está se vendo abandonado pelo seu criador.

Indisposto a carregar um peso em 2014, o governador dá claros sinais de apoiar a comunista Perpétua Almeida ao Senado. Para tentar se salvar, Anibal recorre à estratégia de ter o apoio unânime de todo o PT –o que não consegue. Seu empenho na campanha de Ermício Sena deixou muitas sequelas entre os sibanistas.

Agora, o grupo sabe que enfrentará sérias retaliações pelo Palácio Rio Branco. A oficialização da candidatura de reeleição de Tião, bem como a posse da nova Executiva, foi ofuscada pelo boicote.

Tião Viana precisa controlar seus democratas radicais antes que as coisas fiquem piores em seu partido, prejudicando o empenho da militância em sua campanha de reeleição. O governador errou ao se empenhar na candidatura de Ermício, e pode, daqui para frente, ter condições de se redimir, chamando para o diálogo todas as tendências para sua campanha de reeleição não ser outro constrangimento.

 


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