CAF lançou ontem 27 relatório que analisa desafios da vida urbana na América Latina

Publicado em 28 de novembro de 2017

São Paulo é a quinta cidade da região em descontentamento de usuários com transportes públicos; Fortaleza é a que apresentou menor índice de insatisfação em toda a região. O déficit qualitativo de moradias no País é de 21%, ante 33% na média da América Latina.

periferia

A edição 2017 do Relatório de Economia e Desenvolvimento (RED 2017) do CAF –Banco de Desenvolvimento da América Latina, indica que tanto São Paulo quanto o Rio de Janeiro experimentaram nos últimos anos um processo de sub-urbanização, caracterizado pela diminuição das densidades centrais e o crescimento das densidades nas periferias urbanas. Segundo o documento, lançado hoje em Recife, isso se constitui num dos principais desafios para o desenvolvimento inclusivo das cidades brasileiras, sobretudo aquelas de grande porte, uma vez que implica em novos obstáculos a serem transpostos em termos de mobilidade urbana, uso do solo e investimentos na qualidade da moradia.

O relatório “Crescimento urbano e acesso a oportunidades: um desafio para a América Latina”, apresenta uma extensa análise transversal sobre a situação das principais cidades da região e conclui, entre outros pontos, que a “tripla informalidade” de moradia, transporte e emprego – se apresenta como um dos principais fatores que explicam os baixos índices de produtividade e competitividade nos países latino- americanos.

Para Victor Rico Frontaura, diretor representante do CAF no Brasil, o crescimento inclusivo e a melhoria da qualidade de vida nas cidades são os principais desafios hoje na região, não apenas pela quantidade de pessoas vivendo em áreas urbanas, mas também porque trata-se de um fator-chave para a promoção da competividade e do desenvolvimento econômico dos países latino-americanos. “Mobilidade urbana mais eficiente, melhor planejamento e uso do solo e governança pública institucionalizada resulta em melhores ambientes para negócios e oportunidades econômicas”, avalia. “O RED 2017 nos apresenta elementos conceituais para entender e melhorar o desenvolvimento urbano inclusivo na América Latina”, resume.

Transporte e moradia no Brasil se destacam no relatório

Em matéria de transporte, São Paulo apresenta registros similares de tempo médio de viagem entre casa e trabalho que outras grandes cidades da região (quando considerados todos os meios de transporte)  42 minutos. Esse tempo médio sobe para 55 minutos nos casos dos transportes públicos. No entanto, a cidade apresenta altos níveis de descontentamento de seus usuários, sendo que 1 em cada 4 habitantes se declara insatisfeito com o sistema de transporte público, atrás de Bogotá, Cidade do Panamá, Lima e Montevidéu. Fortaleza é a cidade da região com a menor percentagem de descontentamento, da ordem de 8%.  A pesquisa mostra ainda que 39% dos latino-americanos usam o transporte público para irem ao trabalho, 22% se deslocam em meios de transporte privado e 26% caminham para irem trabalhar.

Segundo dados do Observatório de Mobilidade do CAF, várias cidades brasileiras se encontram entre as cidades da América Latina com menos uso de transporte público, entre elas Belo Horizonte e Recife, que apresentam as maiores proporções de viagens a pé (40%).

Quando se trata de moradia, os dados avaliativos brasileiros, em relação à média da região, são mais positivos. A “taxa de déficit qualitativo” no País, que resume as características físicas das moradias, os acessos a serviços públicos básicos e o regime de posse das mesmas, é de 21%, ante 33% na região. O item que mais influência no déficit de qualidade das moradias no Brasil é a falta de acesso ao saneamento.

Governança

A governança de áreas metropolitanas se constitui em outro grande desafio para o desenvolvimento inclusivo das grandes áreas urbanas na América Latina. No caso do Brasil, diferentemente de outros países da região, são os estados que têm a responsabilidade de promover a governança metropolitana. São Paulo e Rio de Janeiro são analisados no estudo, sendo que SP (com 172 municípios integrados) se destaca com um funcionamento positivo da gestão de problemas metropolitanos, a cidade do Rio de Janeiro não dispõe de instrumentos nesse sentido, apesar de contar com uma população de 11 milhões de pessoas e 89 municípios em sua área metropolitana.

 

Por: Almeida e Claudia

 


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