PF explica Operação Buracos e tenta justificar oitivas

Publicado em 30 de outubro de 2017

O prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre sua esposa e mais onze pessoas foram levadas para prestar depoimento na Policia Federal na investigação sobre financiamento da BR-364, no Acre.

entrevista desvio BR-364

Durante entrevista coletiva, o delegado Jacob Melo, da PF, confirmou a condução do prefeito, da esposa, do diretor do Deracre Ocírodo Junior, o Zabumba e outros diretores do órgão.

Melo disse que a Operação Buracos, realizada por 150 agentes da PF com participação ativa do MPF, Receita Federal e CGU, foi deflagrada para evitar que os investigados combinassem depoimentos. Ele também disse que os agentes apreenderam dinheiro, armas e um colete balístico na casa de dois investigados.

Desvio de 17 milhões

A Controladoria Geral da União (CGU), investigou em 2010 e 2013, os contratos firmados entre o Deracre e as empresas contratadas para a execução de serviços na 364 entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul. No âmbito da Operação Buracos, que também atingiu os estados de Rondônia, Mato Grosso e São Paulo, ontem.

Na época, o Deracre era dirigido por Marcus Alexandre, e segundo a CGU, pagou por serviços que não teriam sido prestados e por materiais que nunca teriam sido entregues. O rombo estimado é de R$ 17 milhões. O prefeito já deu as devidas explicações do TCE e a outros órgãos públicos e ainda se defende em investigação do TCU, com laudos favoráveis à sua versão.

Pericias e laudos antes da operação

Até a justiça federal autorizar que a operação Buracos fosse deflagrada, a Policia Federal abriu treze inquéritos para investigar os supostos desvios de dinheiro nas obras da rodovia. Doze já foram arquivados sem nenhuma evidência contra os investigados, que sequer tiveram chance de defesa, já que se tratava de inquéritos e sequer chegaram ao ministério Público.

O último acabou por sustentar o atual pedido dos mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão, mas os acusados e os investigados ainda não tiveram chance de defesa e não há sequer uma denúncia contra nenhum deles. O exemplo de recentes operações da PF ostra que há grande diferença entre suas investigações e a afetiva condenação dos envolvidos. Todos os ligados ao governo foram absolvidos sumariamente até agora.

“Pedimos as conduções para evitar que os investigados combinassem depoimentos. Constatamos por meio de laudos e pericias que de fato, houve irregularidade na aplicação dos recursos. A camada de asfalto deveria ter cinco centímetros e só tinha três. O dinheiro dos pagamentos passou a ser distribuído de forma manual, desaparecendo das contas, o que reforçou a tese de crime. Ha casos em que o patrimônio de investigados saltou para dez milhões. Outro caso que constatamos foi que um investigado colocou imóveis e outros bens em nome de terceiros para tentar ocultar o patrimônio”, disse o delegado Jacob Melo.

PF refuta alegação política

Ao tomar conhecimento de uma nota oficial da prefeitura de Rio Branco, onde a PF é acusada de perseguição ao prefeito Marcus Alexandre, o delegado Jacob Melo foi objetivo, e retrucou.

“A Policia Federal não investiga ninguém levando em conta sua situação política”. A Policia Federal investiga do mendigo ao presidente da República. Não foi o que aconteceu nas últimas ações da PF que afetaram o meio político acreano.

A PF pretende que os investigados na operação Buracos respondam pelos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito. O inquérito ainda deve ser enviado ao Ministério Público, que decidirá se há elementos para a denúncia e só então, no processo, os acusados terão oportunidade para se defender e as provas serem apresentadas. Por enquanto, nada foi revelado à imprensa e nenhuma prova do ilícito foi mostrada e a investigação corre em segredo.

PF suspeita de irregularidades em BR

Se apresentar nenhuma prova documental, a Polícia Federal recusou a análise de que teria agido politicamente na oitiva do prefeito Marcus Alexandre, mesmo com doze inquéritos anteriores arquivados por falta de provas. Nada foi apreendido com o prefeito ou sua esposa e trata-se apenas de investigação prévia de um suposto desvio que a PF estima em R$ 17 milhões. A coletiva do delegado da PF ocorreu pouco depois da operação Buracos ser deflagrada no Acre e em mais três estados, onde os alvos foram funcionários do DNIT.


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