Sobre a coluna e o colunista

Publicado em 30 de agosto de 2017

jorge natal

Escrever é fácil ou é impossível, dizia o escritor George Bernard Shaw. Sinceramente, não sei. Mas esse “fácil” deve ser colocado em termos. A ideia original, inusitada e inaugural pode vir fácil para algumas pessoas, mas a partir daí, texto é trabalho duro, estudo concentrado de palavra por palavra, período por período, parágrafo por parágrafo.

Texto que flui fácil de ler, foi difícil de escrever. Quem escreveu trabalhou duro. Ao contrário, textos difíceis de ler, truncados, são os que o autor negligenciou quem vai ler. Algumas pessoas têm grandes ideias, mas não conseguem um bom texto. Outras têm um excelente texto, mas estão vazios de ideias. Bom redator é aquele que tem boas ideias e um bom texto para dizê-las.

O Luiz Carlos Rosa está debutando nesta milenar arte. Se ele será um bom escriba ainda é cedo para afirmar. No entanto, pela formação intelectual, religiosa, familiar e a paixão exacerbada pela politica creio que sim. Mesmo às vezes passional, ele concebe a política quase como uma arte.

Escrever pode até ser fácil, mas sobre política não é bem assim. Metaforizando a esfinge de Tebas, “decifra-me ou te devoro”. Quase todos são devorados porque a política é formada por múltiplos conhecimentos. O Luiz Carlos sabe disso. Findo aqui por revelar, se não o enigma, aquilo que mais o fascina que é a complexidade e vastidão dessa ciência. Ele pode não ser o andarilho que decifrou o enigma, porém sabe que é preciso estar sempre um passo à sua frente para não ser devorado.

A coluna “Política em Foco” vai analisar sobremaneira a politica juruaense. Não que o titular seja um provinciano, mas principalmente porque o povo da região se ressente de uma análise mais acurada, com texto e opiniões recheados de picardia e criticidade. O nosso colunista é prata da casa, um caboclo, um legítimo amazonida.

Ele vai colecionar admiradores e desafetos. Sorte que os primeiros serão em maior número. Também vai despertar dois sentimentos: a ira dos adversários e a inveja de alguns aliados. Pois é, o Luiz terá lado. Quem é isento? Imparcial? No entanto, e aí eu tenho certeza, o colunista vai descobrir o quão é necessária a sua intervenção, vez que vivenciamos a maior crise econômica da história deste país. Isso sem falarmos da crise moral e institucional.

Difícil ou fácil, Luiz Carlos Rosa, eu estarei no carcarejo e você estará focado nas causas do Acre e da nossa gente. Boa sorte e bem-vindo a este ofício, que não é fácil, mas também não é impossível.

 

Jorge Natal

Jornalista


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