Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre diz: Ministro que não leva a saúde a sério

Publicado em 28 de junho de 2017

ribamar costePelo bem da classe médica e como presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), decidi participar do evento realizado para a visita do ministro da Saúde, Ricardo José Magalhães Barros, na Associação dos Municípios do Acre (Amac), na segunda-feira (26). No Encontro, apresentei o pedido da entidade por melhorias no Sistema Único de Saúde, como mais medicamentos para a população, carreira de estado para médicos para suprir as regiões mais afastadas, maior agilidade na conclusão de obras dos hospitais que completam décadas e não são entregues, além de reafirmar o meu protesto contra a violência que acaba vitimando todos servidores da saúde e pacientes.

Sentindo-se cobrado pela falta de condições e de segurança para o bom e eficiente desempenho do trabalho médico, o ministro da Saúde entendeu por bem apelar para o discurso fácil do “descompromisso” dos médicos e da prática do ganhar mais sem trabalhar o suficiente, atribuindo a esse “atendimento” as agressões, furtos, assaltos à mão armada, arrastões e ferimentos a bala suportados por todos os servidores que atuam nas diversas unidades de saúde da Capital e do interior do Estado.

Certamente por ser leigo, o ministro desconhece o quadro caótico em que a Medicina é praticada em todo o Estado, desprovido de meios e recursos que permitam à população ter água tratada, coleta de lixo, esgotamento sanitário, alimentação condigna, centros de recreação, escolas de boa qualidade, etc., condicionantes essenciais para uma vida cidadã digna, saudável e produtiva.

O gestor demonstrou despreparo em atuar, como o maior administrador da saúde, ao criticar profissionais obrigados a trabalhar sem o indispensável suporte técnico de pessoal e instrumental para auxílio diagnóstico. Ele ignora que as unidades de saúde estão deterioradas, não possuem laboratórios, raios-X, medicamentos, leitos decentes, alimentação condizente com os tipos de pacientes internados e, sobretudo, superlotadas. Tudo isso não é por culpa dos médicos, mas pela completa ausência da gestão pública, empenhada em outros afazeres mais rendosos politicamente, notadamente porque, na saúde, toda a culpa sempre é atribuída aos médicos, enquanto elefantes brancos continuam em seu letárgico processo de construção.

Todas estas absurdas e perigosas condicionantes demonstram um ministro, de um governo investigado pela operação Lava Jato, que não beneficiará a população com saúde de qualidade e que está preocupado apenas em mostrar números, repetindo os mesmos erros das administrações anteriores, debochando dos eleitores ao desrespeitar os servidores que todos os dias atuam nos hospitais brasileiros.

*Ribamar Costa

Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC)

Freud Antunes
Jornalista

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