Granjeiros: Indústrias reduzem abate e dão férias coletivas com dificuldade no abastecimento de milho

Publicado em 26 de maio de 2016

Indústrias e produtores procuram milho nos EUA e Argentina. E começa o desemprego nas granjas brasileiras

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O alto custo de produção e a queda no consumo interno tem preocupado a cadeia de frangos e suínos do país. De acordo com levantamento do Notícias Agrícolas, ao menos quatro agroindústrias já anunciaram redução na capacidade de abate, férias coletivas ou encerramento total das atividades.

Com unidades em seis estados brasileiros, a Globoaves está com dificuldade na aquisição de matéria prima para ração. Segundo a ACAV (Associação Catarinense de Avicultores) o plantio de Lindóia do Sul (SC) está paralisado há 90 dias, sem repasse aos integrados.

De acordo com fontes ligadas ao setor, a empresa estaria com dificuldade de cumprir os contratos de compra de milho, devendo cerca de 60 milhões para seus fornecedores.

A indústria BR-Aves com sede em São Carlos (SP) deu férias coletivas as funcionários, visando um enxugamento na estrutura produtiva. Também no interior de São Paulo, a integradora Itabom informou que está reduzindo a capacidade de abate em 35%, por conta da dificuldade no escoamento da carne.

Na última semana outra unidade frigorífica de aves no noroeste do Paraná informou que fechará as portas a partir de 1º de junho, deixando mais de 1,5 mil pessoas desempregadas.

Em nota, a empresa culpou a crise econômica, instabilidade política e os altos preços dos insumos pelo fechamento.

O documento enfatiza que “a situação não é exclusividade da Averama Alimentos”. Mas, o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, afirma que essa é uma situação pontual.

“O setor passa por um momento de turbulência, principalmente por causa do milho e da soja que subiram demasiadamente. Isso fez capital de giro se exaurir e o país está em uma recessão violenta”, confirma Martins. “Mas a situação deles é pontual, não significa que vai ser refletir em outros estabelecimentos. A empresa já vem há algum tempo com problema”, enfatizou o presidente em entrevista ao site Gazeta do Povo.

No município de Chapecó (SC) a produtora independente, Cidiane Cela, que também produz de ovos, irá encerrar produção de suínos independentes e eliminará dois lotes de aves, devido à dificuldade em arcar com os altos custos do milho.

“Na sexta-feira (27) vamos carregar o caminhão com os suínos e encerrar as atividades, porque não conseguimos mais bancar a saca de milho a R$ 60,00”, relata.

Segundo ela, nem mesmo as recentes altas no mercado suinícola trouxeram alívio para atividade. “Às vezes a bolsa sinaliza alta, mas o produtor só vai receber quando as agroindústrias resolvem reajustar o preço, e nem sempre isso é rápido”, explica Cela.

O levantamento da Embrapa apontou que os custos de aves e suínos subiram 3,14% e 2,95%, respectivamente em abril.

O ICPSuíno chegou a 224,24 pontos, novo recorde histórico do índice. Mais uma vez, o aumento dos custos com nutrição (2,71%) foi o maior responsável pela alta. Também influenciaram os gastos com transporte (0,23%). Em 2016, o índice acumula uma inflação de 9,89%. Nos últimos 12 meses, a elevação do índice chega a 24,63%.

Fonte: anoticiadahora.com.br


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