Pastor que tentou ‘cura gay’ inaugura catedral para homossexuais no Rio

Publicado em 7 de setembro de 2015

Templo da Igreja Cristã Contemporânea será aberto nesta segunda em Madureira. Fundador, pastor Fábio de Souza diz que militância anti gay é ‘política’.

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Rio de Janeiro, RJ 

Banho de descarrego, corredor de sal, corrente de libertação. Sem contar a doação de todo o salário. Membro de uma igreja evangélica desde jovem, o hoje pastor Fábio Inácio de Souza diz que fez “de tudo” para buscar a libertação da homossexualidade. Passou por um processo semelhante ao que hoje é conhecido como “cura gay”, mas não deu certo. Aos 26 anos, Fábio abandonou o culto que frequentava e conheceu a pregação do pastor Marcos Gladstone em um sobrado na Lapa, região central do Rio. Pouco depois, eles casaram e fundaram a Igreja Cristã Contemporânea, que aceita pessoas de todas as orientações sexuais. A igreja ganhou adeptos e, na próxima segunda-feira (7), uma catedral com capacidade para 800 fiéis será inaugurada.

A inauguração da igreja.

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O espaço em Madureira, na Zona Norte, já está pequeno, diz o pastor Fábio antes mesmo da abertura oficial. Na contramão do fanatismo, a casa ficou cheia em eventos preliminares. “As pessoas estão saindo do armário. Muitos buscam refúgio na gente porque outras igrejas não aceitam gays. Nosso objetivo não é debater a sexualidade. Quando Deus olha para alguém, olha para o coração, não olha para a orientação sexual”, explica.

As pessoas estão saindo do armário. Muitos buscam refúgio na gente porque outras igrejas não aceitam gays.”
Pastor Fábio Inácio de Souza, fundador da Igreja Cristã Contemporânea.
Aos 35 anos, o fundador da igreja recorre à Bíblia para explicar porque, na sua visão, Jesus Cristo não discriminaria os gays, como ele, se voltasse à terra.

“Em todo o tempo, Ele esteve ao lado dos excluídos. A mulher adúltera, o cego, o leproso. Jesus veio para quebrar algumas leis. Os negros também já foram discriminados, não podiam ir à igreja. A Bíblia não condena a homossexualidade, quem condena é o homem”, afirma.

E não faltam homens que o façam, inclusive entre os políticos. Para o pastor Fábio, isto não é uma coincidência.Ele diz que certos evangélicos usam a igreja para fazer “promoção” e diz que os fiéis, muitas vezes, são “massa de manobra”. Alguns dos políticos, ainda segundo o religioso, usam a defesa da família como pretexto, mas acumulam divórcios (com mulheres).  “Não vejo a luta contra o homossexual como uma questão física, é uma questão política”.

Cita como exemplo um deputado investigado por recentes casos de corrupção e questiona: “Eu, sendo gay, qual prejuízo dou à sociedade? Nenhum. É um direito meu, não estou pecando. Ser corrupto sim. Ser gay não é uma opção. Ser corrupto, sim”, pondera.


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