Os vigaristas do congresso

Publicado em 7 de dezembro de 2014

falabrasil-joaobosco

IMAGINEM O SEGUINTE:

Que um de nós, possuidores de crédito de cheque especial junto a um banco qualquer, extrapolássemos nosso limite de uso do dinheiro, que não é nosso; é do banco.

Pelas normas do banco o certo seria que depositássemos o excedente para que, no mínimo, voltássemos a normalidade, ou então que depositássemos a totalidade do seu recurso.

Não faríamos isso por, vamos supor, não termos condições de faze-lo.

Recorreríamos, então, a dois artifícios, um legal e um outro criminoso.

O primeiro seria que solicitássemos ao gerente do banco um aumento do limite de gastos.

Estudada a proposta, seria concedido ou não.

Concedida; resolvida a questão. Negado, restaria o outro.

E o outro, o ilegal, seria que nós propuséssemos ao gerente conceder esse mesmo aumento de limite, mas, em troca, lhe daríamos uma parte de limite como presente pelo favor prestado.

É esse o ilegal. Não pode. É crime de suborno e, por certo, proibido, também, pelas normas do banco.

Os que aplicam golpes desse tipo em instituições bancárias são, desde a minha época de bancário, chamados de vigaristas.

Isso é uma comparação, em pequena escala, do que o governo federal fez com a proposta (aprovada) de alteração na lei orçamentária.

O governo subornou os parlamentares federais (gerentes dos recursos públicos) para que pudesse se adequar ao que dizia a lei anterior; depois de uma farra de gastança e incompetência que o fez criminoso e, criminoso que é, incorreu em outro crime maior para encobrir o anterior.

Criminoso é, também, o parlamentar-gerente que se deixou subornar; no caso, por R$ 740 mil reais. É esse o preço do suborno; é esse o preço deles.

Dirão, tenho certeza, de que visavam seus respectivos Estados e que os recursos do suborno não era para si, etc.

Creio que seria menos vigarista se eles reconhecessem de que o fizeram por ser de seus costume se venderem e de que são incapazes de uma política maior.

Mas, vigaristas têm esse outro costume; sempre arranjam desculpas para as suas vigarices cotidianas e miúdas; é de duas naturezas.

Os vigaristas de outros Estados que respondam aos seus respectivos constituintes; os de Roraima, que desde a aprovação da Medida circula aqui no facebook a relação dos mesmos, eu desafio: divulguem; mostrem; provem que esses R$ 740 mil serão aplicados em benefício da população no próximo ano ou assumam o que, de fato, a população acha dos senhores; de que são vigaristas.

Seria mais… ops!… honesto!

Desde já, e até lá, é assim que os chamarei: vigaristas.

Por: João Bosco

joaobosco.cb@gmail.com


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