Ao sair feche a porta

Publicado em 8 de dezembro de 2014

A vida é uma narrativa diária. Em “Saia, por favor,”! Uma realidade que talvez nesse momento você que está lendo, ou passou, ou está passando por algo parecido. Por gentileza, acompanhe-me nessa história de dois personagens, dois encontros, e uma desilusão.

OLHA ao TEU REDOR…

tua presença virou solidão...

tua presença virou solidão…

Está vendo um quarto, uma cama, e todos os acessórios de uma vida. Está sentindo o cheiro que exala do ambiente? Ele sempre existiu. É que cada vez que eu o esperava, floria a minha vida. Você era a minha primavera. Lembra das tantas vezes que nossos corpos deitaram sobre essa cama? Pois é! Foi nela que doei meu todo, meu tudo pra você. Mais foi nela, também, que por tantas vezes vi minha alma chorar e precisei ser forte para sufocar a dor… lutei heroicamente contra a solidão…sabe por que? Eu sempre te queria umas horas a mais. Amava sentir teu cheiro, ouvir tuas palavras; entender o teu olhar, teu jeito de ser, e de “me amar”. Porém, você impusera limites. Foi cruel ao cronometrar o nosso tempo esquecendo que o meu coração precisava e tinha o direito de ficar mais tempo com você.

Lembra dos nossos últimos diálogos? Curtos, diretos. Você aos poucos me calava. Quantas vezes ensaiei frases, escolhi músicas, fiz poesias. Mas para que? Se você nunca parou para dar uma única oportunidade ao meu mundo poético? Você apenas “fazia amor” enquanto eu me entregava aos sentimentos tentando encontrar razão que a própria razão desconhecia. Você foi tão somente um homem. E que bobagem a minha de achar que em cada encontro, teríamos tempo para falar de DEUS, da VIDA, e da POESIA.

Mais uma vez, olha ao teu redor… estou aqui esperando que você leia a minha vida. Gostaria de nesse momento, substituir meu silêncio por palavras serenas e suaves. Infelizmente, você não gosta dessas coisas. Que bobagem! Logo eu que por tantas vezes falei tanto! Supliquei tanto a explosão do teu coração. Quanta angústia meu DEUS! Afinal, cada vez que eu suplicava o teu amor, você encarava apenas como uma atitude impulsiva a mais.

Olha pra mim… por favor! Não fala nada! Você quer mais uma vez fazer amor não é verdade? Eu também quero muito! Mas por favor! Não se aproxime! Não me toque! Não me deseje! Dê-me o privilegio de quebrar todas as correntes que por tantos anos me aprisionaram nessa disfarçada mentira de querer e ser querida. Sabe por quê? Enquanto eu me guardava pra você, você vivia me dando amantes. Mas tudo bem! Valeu! E como valeu! Pelo menos na cama, fui única pra você. Já leu tudo? Não esqueceu nada? Então, olha só mais uma vez ao teu redor…te despede de tudo que faz parte desse ambiente. Por favor! Não diga mais nenhuma palavra! Vista sua roupa, pegue o seu capacete, suas lembranças, seu perfume, a sua vida que foi guardada anos e anos nessas gavetas, nas cruzetas, nos lençóis, nos cobertores. Afinal, você fazia parte da minha casa inteira. Junte tudo! Não deixe nada! Agora saia! Sem dizer mais nenhuma frase. Eu já não quero mais ouvi-la, e muito menos a compreenderia.

Quer saber como estou? Por favor! Não procure mostrar emoção… com o passar dos anos, você me fez conhecer um homem frio, e cheio de argumentos tão somente. Qualquer manifestação de sua parte nesse momento será apenas como um gesto de consolo. Não preciso desse SENTIMENTO. Agora por gentileza! Saia da minha vida, do meu quarto. A porta da frente está aberta. Vá! Não olhe para trás. Aqui já não tem mais passado nem recordações. Você está levando tudo! Quer saber como será o meu amanhã? Pode ter certeza que hoje vou dormir profundamente. Amanhã, terá alguém especial que me dará apenas tudo o que você me negou. E por favor! Se nossos caminhos se cruzarem outra vez, ignora a minha presença. Pois a tua, já apaguei faz tempo!

 por: Maria Antonia Matias de Sales


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