RORAIMA: AMIGOS DOS AMIGOS SOLIDÁRIOS ATÉ O FIM.

Publicado em 14 de junho de 2014

Por: Joao Bosco

joaobosco.cb@gmail.com

A casa do governador José de Anchieta Júnior (à esq.), em terra da União supostamente grilada. Ao lado, a piscina em formato de J, agora coberta      (Foto: Reprodução Janine Moraes/ABR e Jonne Roriz)

A casa do governador José de Anchieta Júnior (à esq.), em terra da União supostamente grilada. Ao lado, a piscina em formato de J, agora coberta (Foto: Reprodução Janine Moraes/ABR e Jonne Roriz)

Não sou de contar piadas, mas essa já me veio pronta.
BerinhoBantin, Chico Rodrigues, Romero Jucá e José de Anchieta brigam juntos pela posse do Partido Solidariedade. Solidariedade, entenderam.

A piada é essa.

Solidários, todos sabemos que eles são. Tão solidários que beiram a cumplicidade. Tão solidários que parecem irmãos.
Solidários em que, resta-nos saber.

Vejamos, então, suas atuações na política.

BerinhoBantim, foi eleito deputado federal. Conhecido e bem aceito que é (ou era) pelos nascidos na terra, FOI MERECEDOR DA CONFIANÇA DO ELEITORADO.  Não honrou.

Exercia um mandato sem que, hoje, possa-se lembrar de qualquer contribuição para o bem ou mal daquela Casa e, ainda, para com o Estado de Roraima. Como de resto, todos. Entretanto, prestou relevantes serviços para essa turma que hoje briga pelo Solidariedade, em solidariedade aos amigos dos amigos; se é que vocês me entendem…

No escândalo da atuação do Iteraima, com a distribuição de terras para parentes e apaniguados endinheirados do governo (do atual e do anterior), Márcio Junqueira precisou urgentemente da excrecência política chamada imunidade parlamentar para se homiziar de seus crimes na Câmara Federal.

Preciso lembrar que Márcio Junqueira era amigo do peito de José de Anchieta Júnior, o ex-governador do Estado? Acho que não, porque, à boca pequena, em Roraima, fala-se até em sociedade entre ambos.
Pois, bem.

O que fez BerinhoBantim, então? Ora, prontamente ofereceu o mandato de deputado federal dado pelo povo roraimense para que Márcio Junqueira se escondesse da Polícia Federal por trás do “manto da imunidade parlamentar” que escamoteia bandidos da punição de seus crimes.

A desculpa foi a de que assumiria a Secretaria Estadual da Agricultura do governo Anchieta, onde permaneceu sem realizar uma única ação digna de menção, com ameaças constantes de que voltaria a assumir o cargo federal; manobra que, dizem, tinha como objetivo apenas se valorizar mais ainda.
É, hoje, candidato à deputado estadual onde espera prestar ainda seus relevantes serviço solidários ao governo. José de Anchieta Júnior foi, também, beneficiário e principal articulador para que essa manobra se consumasse.

Como governador do Estado no período que ocorreu a farra com as terras públicas, tinha interesse extremo de que Márcio Junqueira escapasse impune de responder pela sua administração à frente do Órgão. E conseguiu. Até hoje a polícia federal nunca o chamou para depor. Segundo
uma gravação de áudio que circula nos grupos do watsApp, Márcio Junqueira prova que tem muito do que falar.E ele fala.

No restante da gravação, ainda desconhecida de todos, exceto para o autor, dizem que ele fala muito. O mandato, então, saiu foi barato para calar o boquirroto fanfarrão. Ele próprio fala em termos financeiros sobre isso.
Inúmeros outros desmandos cometidos naquele governo foram calados através dessa manobra solidária. Até agora, todos impunes.

Márcio Junqueira é candidato a reeleição a deputado federal, onde ele espera se manter solidário aos solidários amigos. Solidário dos solidários; amigos dos amigos é o senador Romero Jucá. Esse é solidário porque se beneficia do governo. Um governo solidário é tudo o que o senador precisa; para se reeleger amiúde; para negociar de maneira solidária com todos, como ouvimos o deputado Chico das Verduras revelar no escândalo do Ministério dos Transportes, onde ele dizia, de forma bem explicativa, como se daria a divisão do butim das comissões da rodovia federal, a BR-174. Coisa de 70 milhões…

Solidaríssimo com todos os outros, nem preciso falar de seus inúmeros rolos; federal, estadual, municipal e bancário.
Solidaríssimo, também, já no próximo governo, onde pretende instalar um preposto, seu filho, na vice-governadoria de: Chico Rodrigues, atual governador e vice do anterior, candidato a reeleição. Esse recebe a solidariedade de todos os outros, pelos motivos e razões já ditas acima e, também, porque por ser vice do enrolado governo anterior, legalmente ele é solidário em seus crimes.

Chico pode até não ter tido participação na farra das terras, mas ele era, e é, solidário no governo. Pecou pelo silêncio. Perguntado sobre um assunto correlato, respondeu que não sabia de nada e que vice não manda nada.

Deve ser o único morador do Estado de Roraima que não ouviu falar na farta distribuição de terras públicas a parentes e amigos de José de Anchieta.

Deve ser o único morador do Estado de Roraima que não soube que a belíssima esposa do ex governador estava na fila de agricultoras (sua alegada profissão) para receber extensa faixa de terras na Região do Água Boa, onde construíram uma mansão cinematográfica, com uma imensa piscina em forma de “J”, muito bem fotografada pela Revista Veja, numa reportagem intitulada “Farra na Floresta”. Deve ser o único morador do Estado de Roraima que não soube que o Estado foi apontado como o campeão na desonrosa categoria de maior corrupção eleitoral e compra de votos.

Vai ver é por isso que todos os outros são tão solidários com ele. Muito ingênuo; muito inocente; sabe de nada…
Mas que sabe ser solidário, isso ele sabe. Pretende ser e continuar, se conseguir se reeleger.

Todos candidatos, eles contam com a solidariedade do eleitor roraimense para se elegerem e, solidários somente entre eles, esquecerem os eleitores tão logo assumam e solidariamente “governem”.

Fui muito sutil?

 


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