Campo dos Afonsos e AFA

Publicado em 6 de junho de 2014

Campo dos Afonsos e AFA-2

Quando voar ainda era uma aventura em aviões de madeira e tela amarrados com corda de piano e motores de carro para decolar de ruas e pousar em praias, um grupo de amantes da aviação procurava um local para o primeiro campo de aviação do País. A comissão do Aero Club Brasileiro escolheu uma região na zona oeste, propriedade do Ministério da Justiça. Ali, em 12/12/12, nasceu o Campo dos Afonsos.

“Aqui começou a ser delineado o poder aeroespacial do Brasil”, diz a cientista política Maria José Machado de Almeida, professora da Universidade da Força Aérea (Unifa). A instituição fica ao lado da Base Aérea dos Afonsos – hoje em uma região urbanizada.

O Campo dos Afonsos é um dos berços da aviação brasileira, pois sua história confunde-se com a história da aviação no Brasil. Hoje, além da base aérea, o Campo dos Afonsos abriga também outros órgãos da FAB, como a Universidade de Força Aérea (Unifa), destinada a preparação de oficiais superiores e oficiais generais, e o Museu Aeroespacial (Musal), com mais de 80 aeronaves históricas em exposição, entre outras atrações.

Foi no Campo dos Afonsos que, em outubro de 1911, começou a funcionar a primeira organização aeronáutica do Brasil, o Aeroclube do Brasil. Ele tinha como presidente honorário Alberto Santos Dumont e um dos sócios era o tenente Ricardo Kirk, o primeiro oficial do Exército e o segundo militar brasileiro a obter um brevê de piloto de aviões.

Pouco tempo depois, em 2 de fevereiro de 1914, passou a sediar também a Escola Brasileira de Aviação – EBA, iniciativa de um grupo de aviadores italianos e resultado de um acordo firmado entre estes e o então Ministério da Guerra (atual Ministério da Defesa) do Brasil. Na direção da escola, atuando também como representante do ministério, estava o tenente da Marinha do Brasil, Jorge Henrique Moller, o primeiro piloto brasileiro brevetado.

Com a eclosão da I Guerra Mundial na Europa e o encerramento das atividades da empresa organizada pelos italianos para patrocinar a EBA, o funcionamento da escola foi dificultado. A falta de instrutores, de peças de reposição, e uma perturbadora sequência de acidentes levaram ao fechamento da EBA em 18 de julho de 1914. Todo o acervo da escola foi entregue então ao Exército Brasileiro que, por sua vez, o repassou ao Aeroclube do Brasil.

Ainda no decorrer da I Guerra Mundial, o governo brasileiro negociou com o governo francês o envio de uma missão militar para atuar na instrução do Exército Brasileiro em vários níveis, inclusive na formação de pilotos militares. Assim, em meados de 1918, chegou ao Brasil uma pequena missão militar francesa e, em 29 de janeiro de 1919, foi criada a Escola de Aviação Militar, que começou a funcionar em 10 de julho do mesmo ano.
Em 1941 com a criação da Força Aérea Brasileira, passou a ser designado Base Aérea dos Afonsos – BAAF.

A mudança de denominação, de Escola de Aeronáutica para Academia da Força Aérea seu deu no ano de 1969 e, em 1971 a AFA foi transferida para suas novas e modernas instalações em Pirassununga, Estado de São Paulo.

Academia da Força Aérea é um estabelecimento de ensino em nível superior da FAB, reconhecido pelo Ministério da Educação, integrante do sistema de formação e aperfeiçoamento de pessoal do Comando da Aeronáutica – COMAER.

A AFA foi instalada no município de Pirassununga, São Paulo, devido ao fato desta cidade reunir as melhores condições de clima e temperatura para a prática da atividade de instrução aérea. Entre suas missões está a formação de pilotos militares para a FAB, como também para Forças Aéreas de países da América Latina, África, Ásia e Europa, mediante acordos internacionais de cooperação. É considerada uma das três melhores escolas de formação de pilotos militares do mundo.

Em 1972, a AFA formou a primeira turma de oficiais aviadores e intendentes e atualmente realiza a formação dos cadetes dos seguintes cursos: Curso de Formação de Oficiais de Infantaria da Aeronáutica (CFOINF), Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAV) e o Curso de Formação de Oficiais Intendentes (CFOINT). Além disso, todos os cadetes da Academia, ao final do curso, recebem o título de Bacharéis em Administração, com ênfase em Administração Pública.

Na formação de Oficiais Intendentes, a academia aceita matrícula de cadetes do sexo feminino.

Em 1969 A FAB adquiriu 70 aeronaves Aerotec T-23 que foram empregadas na formação de pilotos na Academia da Força Aérea, onde recebeu o apelido carinhoso de “Zarapa”, pelos alunos. O Aerotec T-23 Uirapuru (versão militar) ou Aerotec 122 (versão civil) é um avião de treinamento da empresa Aerotec, de São José dos Campos. É um monomotor, metálico, bi-place lado a lado, duplo comando, asa baixa, trem de pouso triciclo fixo, empenagem convencional.

Atualmente os cadetes aviadores iniciam a instrução aérea na 2ª série, voando o T-25 “UNIVERSAL”, avião de instrução primária/básica de fabricação nacional, e voam cerca de 75 horas. Na 4ª série, os cadetes realizam a sua instrução na aeronave T-27 “TUCANO”, turboélice de instrução avançada, também de fabricação nacional e voam cerca de 125 horas.

A AFA tem uma intensa atividade aérea devido principalmente a instrução dos cadetes e também dos seus oficiais instrutores, chegando a quase 2/5 do que se voa por toda a FAB, sendo considerado o Aeródromo com o maior movimento de aeronaves militares da América Latina. Para que tudo ocorra dentro da mais completa segurança, a AFA mantem um serviço de alerta de Busca e Salvamento (SAR), com helicóptero (H-50 – Helibrás Esquilo) e tripulação, além de um SESCINC, previsto nos Batalhões de Infantaria da Aeronáutica, o BINFA-84 e Ambulância/UTI, durante as 24 horas.

Em Pirassununga são sediadas, além da AFA, outras Unidades da FAB: Fazenda da Aeronáutica de Pirassununga (FAYS), Prefeitura de Aeronáutica de Pirassununga (PAYS), Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) – a Esquadrilha da Fumaça e o Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Pirassununga (DTCEA YS).

A AFA realiza a mais importante festa aeronáutica do interior do Estado de São Paulo, o Domingo Aéreo. Este evento já comportou, no ano de 2006, aproximadamente, 57 mil pessoas. No ano de 2011, 53 mil pessoas vieram à festa.

Adson Prado Morais


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